“Ponta Delgada precisa de Mudar de Vida”


Ponta Delgada é a terra de Antero de Quental e de Natália Correia. Com o apoio do seu povo foi sede liberal, por um curto período, do reino de Portugal e dos Algarves, com D. Pedro IV, e berço de uma burguesia empreendedora, cosmopolita e esclarecida, aberta ao mundo, que soube, quando precisou, conquistar ao mar a terra de que necessitou para crescer, desenvolver novas (ao tempo) e inovadoras indústrias e promover a Cultura.

O Estado Novo tentou com (quase) sucesso tudo isso esmagar, mas a democracia e o advento da Autonomia constitucional, com a livre administração dos Açores pelos Açorianos, acordou a cidade e o concelho, proporcionando-lhe uma oportunidade única de desenvolvimento.

O concelho, maior em população e em poder económico na Região Autónoma dos Açores, sede política da presidência do Governo Regional, com a preciosa ajuda dos fundos comunitários assistiu a um crescimento económico notável na década de oitenta e noventa do século passado, tornando-se um polo gerador de emprego e de atração de população de todo arquipélago.

Mas, o tempo e a ausência de alternância são inimigos do crescimento. O PSD em democracia, apenas durante 4 anos (no final da década de oitenta), não governou o concelho, e a natural decadência do acomodado contínuo exercício do poder falhou nas respostas aos desafios do progresso. O preço da habitação, alimentado pela proliferação permitida do alojamento local na cidade e face à ausência de oferta para aquisição, escalou a preços proibitivos para a classe média e a rede de transportes públicos (se é que se pode chamar assim!) baseada num modelo dos anos oitenta/noventa, não é alternativa ao automóvel, não permite o acesso ao emprego de todo o concelho, e, neste âmbito, a palavra “sustentável” nem do ponto de vista financeiro se pode aplicar. Ponta Delgada, com 67 mil habitantes, (menos 2,2% em 10 anos) tem uma piscina e um campo de futebol, em que as equipas treinam em pequenos segmentos, atropelando-se literalmente. Não tem qualquer política própria de promoção ou acolhimento ao turismo, nem tem um centro de congressos municipal. A educação e o apoio social são manifestamente o “parente pobre” da governação autárquica social-democrata. Vale-nos, na cidade que me acolhe há perto de 40 anos, o labor das suas gentes e o arrojo dos seus empresários.

A candidatura do Partido Socialista, com André Viveiros na liderança, permite concitar a força adormecida de uma população, que carece de uma oportunidade para poder fazer melhor, com novas prioridades de governação para o concelho: inovar na economia, garantir o acesso à habitação, apostar na educação e proporcionar uma rede de apoio social efetiva para quem precisa.

Ponta Delgada precisa (mesmo) de mudar de vida! 

Francisco Vale César 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Censura*

Emancipação?*

Leaks e mais leaks