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A mostrar mensagens de setembro, 2021

A importância de ter mais Lisboa

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Sou um Açoriano nascido em Lisboa. Lá vivi, estudei e trabalhei cerca de dez anos no início deste século e agora visito a cidade regularmente em trabalho e em lazer. Lisboa não é apenas uma cidade que eu conheço. É, também, de algum modo, a par de Ponta Delgada, a minha cidade, onde não me consigo sentir turista, apesar de já não ser residente. Não me esqueço da cidade que conheci noutros tempos. Uma cidade degradada, com zonas de visita não aconselhada, poluída, com poucos espaços verdes, com uma mobilidade caótica, cara e assimétrica, sem dinamismo económico e cada vez mais desertificada. Nesse tempo, o surgimento do novo milénio aparentava ser mais um pesado fardo e um constrangimento do que uma verdadeira oportunidade para a cidade. Em dez anos, com António Costa e Fernando Medina, a cidade mudou para melhor. A sucessiva perda de população finalmente inverteu-se, o número de jovens a viver na cidade aumentou em mais de 30% e a taxa de desemprego, até 2019, diminuiu para valores his...

A “matrioska” das eleições!

Cada ato eleitoral contém, em si mesmo, várias eleições! Se isso é verdade para umas eleições legislativas, em que olhamos para o computo geral (quem ganha a quem, onde) e, no final, para as composições de cada bancada (quais os deputados eleitos por partido e círculo) ainda mais verdade é numas eleições autárquicas em que estão em causa 308 concelhos e dentro destes tantas outras freguesias com as suas enormes diferenças. É por isso que no domingo estaremos todos a ver quem foi eleito não só para a junta de freguesia mais próxima da nossa área de residência, como para o concelho em que aquela se insere, mas ainda outros onde as disputas eleitorais (e os seus resultados) podem ditar leituras mais abrangentes de nível de ilha/regional ou mesmo nacional. É assim como uma matrioska, em que cada partido tenta que da peça menor à maior do puzzle eleitoral todas se encaixem em prol de uma narrativa que lhe justifique os próximos embates político-partidários. Nos Açores, mas também no pa...

Por uma Comunicação Social Livre e Sem Amarras

  A comunicação social assume um papel fundamental nas sociedades modernas e democráticas. A sua capacidade para informar e formar a opinião dos cidadãos é inequívoca.   Torna-se, assim, fundamental termos Órgãos de Comunicação Social (OCS) independentes, plurais, capazes de cumprir com o seu papel. Sendo, tantas vezes apelidados, e bem, de quarto poder, é, pois, imperativo que possuam os meios adequados para assegurar a sua missão, na prestação de um verdadeiro serviço público.   A precipitação tecnológica vivida nos últimos anos, as mudanças de hábitos de consumo que a acompanharam, a dimensão dos mercados e as crises económicas, entre outros factores, evidenciaram a dificuldade de se desenvolverem modelos de negócios eficazes e sustentáveis, capazes de garantirem a sobrevivência e a independências dos OCS, colocando assim em perigo um elemento essencial à vitalidade da vida democrática. Com efeito, dada a importância da comunicação social para a saúde da Democracia, na...

Continuar a Valorizar Coimbra

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Coimbra é um bom exemplo de alternância democrática. Neste concelho, nenhum partido dominou, nem fez da terra o seu feudo. O povo, possivelmente inspirado na tradição contestatária e exigente da academia mais antiga de Portugal e pelo dinamismo irreverente das suas empresas e trabalhadores soube sempre escolher quem melhor lhe pudesse servir. Visitei e conheci Coimbra no meu tempo de estudante no início deste século e, posteriormente, regressei, por diversas vezes, em trabalho num tempo mais recente. Hoje, apesar de ver a cidade e o concelho com olhos 20 anos mais vividos, consigo ver o potencial que estava por aproveitar e que agora toma rumo. Com o PS, o concelho deixou de ser sobretudo a cidade, para se tornar também a cidade. Um concelho pleno e dinâmico, com um poder de compra per capita 29% acima da média do país, com atividade económica tão diversa, que passa pela agricultura, pelo turismo, pela indústria e pelos centros de conhecimento lá sedeados (18 instituições de ensino s...

Portanto.... é fazer as contas!

Portanto....é fazer as contas! Depois de dias de "embrulhanço" e meias explicações, percebe-se hoje que o que faltou mesmo na recentre troca de comunicações entre o Palácio de Sant'Ana e o Palácio de San Bento a propósito dos montantes devidos pela República, a título de solidariedade nacional, para fazer face aos estragos do Furacão Lorenzo foi uma máquina de calcular, alguém que a soubesse usar e alguma atenção! Não se sabe ainda se estes elementos faltaram apenas em Sant'Ana ou na Rua de São João, ou em ambos os lados, mas é caso para voltar a uma das mais importantes frases da política Portuguesa e dizer... era fazer as contas! O Presidente do Governo sempre se pode desculpar nas cartas que tinha ou não tinha, nos cálculos que o seu Gabinete preparou (ou não)! Mas soa sempre a pouco que alguém com tamanha responsabilidade possa fazer valer a sua proposta ao Primeiro Ministro apenas naquilo que constam de uns quaisquer arquivos, esquecendo o papel do seu partido e ...

“Ponta Delgada precisa de Mudar de Vida”

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Ponta Delgada é a terra de Antero de Quental e de Natália Correia. Com o apoio do seu povo foi sede liberal, por um curto período, do reino de Portugal e dos Algarves, com D. Pedro IV, e berço de uma burguesia empreendedora, cosmopolita e esclarecida, aberta ao mundo, que soube, quando precisou, conquistar ao mar a terra de que necessitou para crescer, desenvolver novas (ao tempo) e inovadoras indústrias e promover a Cultura. O Estado Novo tentou com (quase) sucesso tudo isso esmagar, mas a democracia e o advento da Autonomia constitucional, com a livre administração dos Açores pelos Açorianos, acordou a cidade e o concelho, proporcionando-lhe uma oportunidade única de desenvolvimento. O concelho, maior em população e em poder económico na Região Autónoma dos Açores, sede política da presidência do Governo Regional, com a preciosa ajuda dos fundos comunitários assistiu a um crescimento económico notável na década de oitenta e noventa do século passado, tornando-se um polo gerador de em...

A escolha de Almada

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Palco de lutas históricas pelos direitos dos trabalhadores, pela democracia e liberdade, local de  fortes  tradições culturais  e associativa s , e de gente politicamente mobilizada , o concelho de Almada, com cerca de 158 mil  habitantes ,  ainda mantém as  características urbanísticas e arquitetónicas típicas de uma região que foi predominantemente industrial  e ,  também , ainda  dormitório de Lisboa , governada, durante mais de 40 anos, pelo  P artido  C omunista  P ortuguês. Da decadência de um longo e esgotado ciclo de governação, surgiu, há quatro anos, com  o  PS liderado por Inês de Medeiros, uma alternativa de rumo para (todo) o concelho, moderna,  dialogante  e ambiciosa que o libert ou  das  pesadas  amarras do imobilismo  camarário . Inês de Medeiros trouxe  a mundividência que esperávamos de alguém com o seu percurso e valores ,  e deu projeção a Almada. Deu um sen...

A insinuação e personalização como “modus operandi”

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Passados alguns meses do início de funções da nova maioria PSD/CDS/PP/PPM nos Açores há já algumas características, que não sendo exclusivas, se têm demonstrado frequentes na forma de exercer a sua ação. Atendamo-nos hoje à insinuação e personalização como modus operandi. Modus operandi quer na atribuição de responsabilidades (ex. “Aquele(a) Senhor(a) é responsável por todo o mal que vai nos Açores”) ou, em sentido contrário, para não assunção daquelas que cabem ao próprio Governo ou partidos que os suportam e seus atores principais (ex. Aquele(a) Senhor(a) é que não nos deixou fazer). Vamos a alguns exemplos? ·        Era do Diretor do Museu toda a culpa no caso da trapalhada da transferência do boi-anão do Museu Carlos Machado para o Ecomuseu do Corvo, quando ainda não se sabe se dita criatura já foi ou não trasladada (paz à sua alma!) ·        Como era da ex-vogal do Conselho de Administração da Escola do Mar a respo...

Confiança no futuro do Funchal

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O município do Funchal é a jóia da coroa das eleições autárquicas no arquipélago da Madeira. Com mais de 111 mil habitantes, centro económico, cultural e político da Região, na maior cidade dos territórios insulares portugueses, a disputa pela sua liderança nos próximos 4 anos, entre a esquerda e a direita, afigura-se como fundamental (apesar de não essencial) para os principais partidos na Região e para as suas perspetivas futuras em termos regionais. Se, por um lado, temos Pedro Calado, que replica na sua candidatura à câmara, a coligação governativa regional PSD/CDS-PP, assumindo-se - ou, pelo menos, presumindo-se - como um homem ligado ao meio empresarial madeirense, um prolongamento do “jardinismo” (nunca se viu Alberto João Jardim tão empenhado numa campanha eleitoral em que não é candidato) de um regresso ao passado absolutista, das obras faraónicas, em que o PSD ganhava tudo, que tendo sucesso, pode projetar o seu nome como um dos possíveis sucessores de Miguel Albuquerque. Por...

Negacionismo Vs. Liberdade

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As imagens falam por si. Uma turba ruidosa decidiu interromper um almoço familiar. Aos gritos, com insultos, “confundiram a obra prima do mestre com a prima do mestre de obras” . Ninguém nega aos negacionistas a liberdade de expressão que tantos, como Ferro Rodrigues, lutaram para que houvesse em Portugal. Ninguém nega aos negacionistas “o direito à indignação” que o Presidente Mário Soares cunhou como legítima expressão face à iniquidade e à desigualdade de oportunidades.   Todavia, o que o Estado de Direito proíbe – e sanciona – são os ataques cobardes e insultuosos, sobretudo, dirigidos aos titulares dos órgãos de soberania. Já seria condenável se a turba negacionista dirigisse os seus maus fígados ao político Ferro Rodrigues num momento em que se encontrava a almoçar num restaurante com a sua mulher. Atacar a segunda figura do Estado, com aparente impunidade, enfraquece a democracia representativa, a qual tem meios e instrumentos – quer de justiça quer políticos – que dispens...

Novos Tempos

Vivemos tempos únicos e desafiantes, onde permanentemente somos colocados à prova e convidados à superação.   Tempos em que, algumas coisas dadas como adquiridas deixaram de o ser e outras surgem, agora, por maioria de razão, reforçadas.   É por exemplo a intervenção do Estado na saúde, na educação, na economia e na proteção social, onde hoje até o mais liberal dos liberais, compreende a sua necessidade e importância.   Outro bom exemplo são as autonomias regionais, que se mostraram fundamentais para a defesa da saúde das populações, mas cuja necessidade de serem aprofundadas e de irmos mais além foi notória, nomeadamente na definição e dotação de ferramentas que nos permitam uma maior eficácia na defesa das pessoas e do nosso território insular e arquipelágico.   Perante estes novos tempos, torna-se ainda mais necessário assumir um ímpeto reformista, que coloque   as pessoas sempre no centro do desenvolvimento das políticas, tendo como prioridades nomeadamente ...

O que sabemos nós sobre o Afeganistão?

  É típico do “comum ocidental”, onde tão humildemente me incluo, assumir com grande prontidão e certeza conclusões sobre os mais variados temas da política internacional assente sobretudo nas evidências e relatos mais recentes, maioritariamente veiculados pelos órgãos de comunicação social que seguimos, uns e outros guiados, eles próprios, pelo nosso gosto ou inclinação ideológica. Vem isso a propósito do conjunto de narrativas que fomos construindo mais recentemente sobre o Afeganistão no encalce da saída apressada e desastrada dos países da NATO que, liderados pelos EUA, há anos mantinham presença ali. Esses relatos tendem a simplificar a realidade do país entre o desastre da saída (comprovadamente) e o destino selvático a que invariavelmente estarão os afegãos condenados no imediato e no futuro às mãos do regime Taliban recentemente instalado. Longe de mim desculpar, de qualquer forma ou feitio, aqueles que são os primeiros sinais da “nova governação” dos velhos senhores ...

Até Sempre, Presidente!

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Morreu Jorge Sampaio. Morreu um Homem Bom. Fundador da democracia, advogado de presos políticos, combatente antifascista, profundo e convicto defensor das liberdades cívicas e dos Direitos Humanos, Jorge Sampaio tinha uma sensibilidade tocante e uma dimensão humanista a que ninguém ficava indiferente. A República perdeu uma das suas referências. Os portugueses perderam um Homem Bom! Até sempre, Presidente!  AR

Razões de ser

“` À Esquerda da Indiferença” é, antes de mais, um exercício de liberdade. De quem, obviamente, concorda em discordar. De quem respeita e tolera, mas não deixa de afirmar, por vezes com veemência, aquilo em que acredita. E são várias as causas pelas quais nos batemos: a liberdade, a democracia, o direito à diferença, a tolerância, a solidariedade, o progresso e a justiça social, são apenas algumas.  Não estamos sempre de acordo uns com os outros. E, ainda bem que assim é!   Num tempo em que há uma tendência galopante de catalogar tudo e todos, em que se cavam trincheiras cada vez mais fundas, em que a ditadura do   politicamente correto , por vezes, cerceia a capacidade de questionar, “À Esquerda da Indiferença” pretende ser, para os seus autores, apenas e tão somente um espaço livre. Livre de preconceitos, de pretensiosismos, de sectarismos e de proibições. Livre de extremismos e radicalismos. Uma zona franca onde nos podemos reencontrar uns com os outros. Sem qualquer...

Ter trabalho não é garante de muita coisa

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  Em 2022 espera-se que seja o tempo da recuperação nos Açores. Da recuperação da economia, dos empresários e das empresas, das famílias, e das Administrações Públicas. De recuperação, das aprendizagens assimétricas e - naturalmente perante a circunstância- menos cuidadas, e do que ficou para trás no nosso Sistema Regional de Saúde. É sobretudo tempo de, em 2022, recuperarmos a nossa vida de volta, as nossas rotinas e preocupações, que com o afastar da neblina da enfermidade, não só continuaram pertinentes, como ganharam importância acrescida neste novo enquadramento. Ter trabalho não é garante de muita coisa: de escape à pobreza, de fuga à incerteza do desemprego amanhã, de poder decidir emanciparmo-nos do berço familiar e aceder a uma habitação a preços acessíveis ou projetar ter filhos, é sinónimo, sim, de espera e de meia vida adiada. São problemas comuns a todas as sociedades ocidentais, com diferentes intensidades ou impactos, mas não é por essa generalização que passam a se...