Confiança no futuro do Funchal
O município do Funchal é a jóia da coroa das eleições autárquicas no arquipélago da Madeira. Com mais de 111 mil habitantes, centro económico, cultural e político da Região, na maior cidade dos territórios insulares portugueses, a disputa pela sua liderança nos próximos 4 anos, entre a esquerda e a direita, afigura-se como fundamental (apesar de não essencial) para os principais partidos na Região e para as suas perspetivas futuras em termos regionais.
Se, por um lado, temos Pedro Calado, que replica na sua candidatura à câmara, a coligação governativa regional PSD/CDS-PP, assumindo-se - ou, pelo menos, presumindo-se - como um homem ligado ao meio empresarial madeirense, um prolongamento do “jardinismo” (nunca se viu Alberto João Jardim tão empenhado numa campanha eleitoral em que não é candidato) de um regresso ao passado absolutista, das obras faraónicas, em que o PSD ganhava tudo, que tendo sucesso, pode projetar o seu nome como um dos possíveis sucessores de Miguel Albuquerque.
Por outro lado, temos Miguel Silva Gouveia, presidente de câmara socialista desde a saída de Cafôfo para a candidatura ao Governo Regional em 2019, mais jovem, reconhecido por ser um homem sério e tecnicamente preparado para função, que lidera uma coligação PS/BE/PAN/MPT/PDR. Consigo traz um património de 8 anos de governação socialista, em que a dívida da autarquia (do tempo em que Pedro Calado foi vereador com o pelouro financeiro) foi reduzida de 100 ME para 30 ME, em que o pagamento aos fornecedores do município passou para apenas 15 dias, os impostos municipais foram reduzidos e o investimento na reabilitação urbana, habitação, educação e nos apoios sociais passaram a estar no centro das preocupações e dos resultados. Aliás, estes resultados ganham maior ênfase quando verificamos que a longa gestão social-democrata do município (33 anos consecutivos) foi alvo de 3 resgastes financeiros por parte do Governo.
Pelo trabalho realizado, pela capacidade de congregar e gerar consensos, por levar a cabo uma gestão camarária que concita rigor na contas públicas e ambição e arrojo, com sensibilidade social, para o futuro do Funchal, tudo indica que, apesar do enorme esforço do poderoso “aparelho” laranja, os socialistas continuarão a governar a maior cidade madeirense.
Francisco Vale César

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