Desacreditar os dados e alterar os critérios: o caminho para a confusão!
Os últimos dias na Região foram
pródigos em declarações sobre a qualidade dos dados que medem o progresso (ou
falta dele) em setores fundamentais da nossa vida coletiva: emprego, educação e
pandemia.
E o que espanta não é tanto a
incoerência clara que resulta de nuns casos se querer dizer que eles não valem,
para noutro logo se dizer que são os melhores de sempre, para noutro ainda
querer mudar agora os critérios, na eventual tendência que, em todos eles, a realidade
aferível seja outra, eventualmente melhor ou pelo menos diferente!
O que me espanta verdadeiramente é
que em todas estas situações quem decide não perceba que o que não é óbvio para
eles é “clarinho como água” para todos os restantes e transmite-se no simples
ditado popular: “o pior cego é aquele que não quer ver”!
É que o problema maior em querer
desacreditar instituições reconhecidas como o INE – no caso das taxas de
desemprego - ou a DGS e o ECDC – na alteração dos critérios definidos para a
medição do pulso à “pandemia” – é que a gente até pode iludir-se a achar que
está a criar a nossa realidade específica (melhor!) e “muito autonómica” em
cada um destes setores, mas ficaremos incomparavelmente mais isolados na nossa
avaliação face ao conjunto do país e do mundo “que pula e avança”! E esse é apenas
um caminho para a confusão!
De resto, são vários os exemplos
recentes de outras latitudes onde o desacreditar dos dados (em alguns casos,
sonegando até a sua publicação) serviu de estratégia para fingir que a questão
nem existia. Nenhuma democracia moderna pode progredir se não houver uma base
comum de entendimento que permita construir soluções. Ou no famoso slogan do Washington Post “Democracy
dies in Darkness”
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