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A mostrar mensagens de outubro, 2021

Com aliados destes….

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  Um dos três líderes da coligação que governa os Açores entendeu, em entrevista ao Diário Insular, atacar violentamente o líder da Iniciativa Liberal, deputado Nuno Barata de cujo voto, aliás, o governo também carece. Entre outros mimos, Paulo Estevão acusa Barata de desenvolver uma “efabulação delirante” e de pretender ser “uma espécie de Dalai-Lama dos Açores” a quem tem de se “ prestar reverência, beijar o chão e calar-nos na Sua presença ”. Que os líderes do PPM e do IL não morrem de amores um pelo outro, já era mais ou menos evidente. Agora, Estevão, cuja impulsividade todos reconhecem, com esta entrevista, declara guerra a Barata e - mesmo descontando o aspeto teatral e dramático que costuma emprestar às suas vociferantes declarações -, não é crível que, depois disto, impere entre os dois a lógica do nacional-porreirismo em que se pegam publicamente como cães e gatos para depois, nos bastidores, serem amigos como dantes.  Seja como for, com aliados destes, e com men...

Censura*

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Na política, como, aliás, na vida, a solidariedade é devida e valorizada, sobretudo, nos momentos difíceis. Quando é fácil, não custa – nem é preciso – ser solidário. É por isso que as ausências do Presidente e do Vice-Presidente do Governo do debate relativo ao escandaloso processo das agendas mobilizadoras não podem deixar de ter significado político. Bolieiro e Artur Lima já tinham responsabilizado exclusivamente o Secretário Regional das Finanças pela trapalhada. Esta semana, evidenciaram qual o grau de coesão existente quando “o circo começa a pegar fogo”. Noutras circunstâncias, o omnipresente comentador Bastos e Silva já teria pedido a cabeça do Secretário Regional das Finanças ou, pelo menos, percebido os sinais evidentes do seu isolamento político e daí retirado as devidas ilações. A polémica e a forma como Bolieiro reagiu são reveladoras da falta de liderança do chefe do Governo. Em boa hora, se constitui, por isso, a comissão de inquérito parlamentar subscrita pelo PS, B...

Erros deles, má fortuna, amor cadente!

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  Memória, seletiva o quanto baste. O suficiente para zurzir naqueles de que manifestamente não gostam, mas tímida e alquebrada para um esforço módico de reconhecimento. Camões bem imortalizou: “erros meus, má fortuna, amor ardente”. E, na novela mexicana em que se transformou uma coisa a que pomposamente se chama “agendas mobilizadoras”, nos Açores bem podemos gritar aos quatro ventos: “erros deles, má fortuna, amor cadente”. Pródigos na crítica rápida aos do costume, céleres em disparar com uma mão, enquanto a outra se acerca do bolo, ei-los, alegremente e de braço dado,  a arrepiar caminho: um, que outrora perorava anasalado num estilo inconfundível nos ecrãs televisivos, a exigir transparência, a bater com a mão no peito inchado, dito orgulhosamente independente, afinal, agora, meio à socapa, e nada independente nem no estilo nem na ação, contrata uns consultores e, num lusco-fusco, decide praticamente sozinho o destino que, supostamente, seria de todos. O outro, aquele qu...

Emancipação?*

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As gerações mais novas vivem hoje um paradoxo asfixiante. Se, por um lado, temos a geração mais qualificada de sempre, por outro, essa circunstância não responde à aspiração de alcançar estabilidade profissional e, assim, emancipar-se e constituir família. Num país – e numa região – onde a curva demográfica é um dos principais óbices - este problema, a par da precariedade laboral e de uma iníqua desigualdade de rendimentos, constitui uma séria e grave ameaça à coesão social. O acesso a uma habitação condigna, o combate à precariedade laboral e a luta por um rendimento compatível com a qualificação são pilares de uma pirâmide, sem os quais é a própria democracia que está ameaçada. Isto sem falar do enorme e cíclico problema que se antevê quanto à sustentabilidade da segurança social e cujas vítimas serão, a prazo, os que já hoje sentem as suas expectativas defraudadas. Para tudo isto, urge encontrar soluções sob pena de, deste caldo, resultar um caldeirão de imprevisíveis consequências ...

Leaks e mais leaks

Luxembourg Leaks, Panama Papers, Luanda Leaks e agora Pandora Papers... nomes cada vez mais comuns de uma história repetida. O incrível e meritório trabalho do ICIJ  só é suplantado pela nossa incapacidade já de ficar se quer espantados com a velocidade com que ricos e poderosos montam esquemas de transação/lavagem de dinheiro através de  offshores devidamente "legalizados" em locais de postal, em que apenas crescem, por ordem natural, caixas postais sem que a justiça, nacional e muito menos a internacional, tenha forma de os julgar. Porque, na verdade, o que o ICIJ e as suas aturadas investigações demonstram é aquilo que todos intuímos, mesmo sem ter os dados. Que empresas, sobretudo multinacionais, e indivíduos, da alta finança ou apenas da alta corrupção, usam e abusam dos "buracos" todos da legislação, nacional, europeia e internacional para se furtar aos pagamentos devidos de impostos ou outros. Aquilo que está vedado ao mais comuns dos contribuintes a esses t...