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Desacreditar os dados e alterar os critérios: o caminho para a confusão!

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  Os últimos dias na Região foram pródigos em declarações sobre a qualidade dos dados que medem o progresso (ou falta dele) em setores fundamentais da nossa vida coletiva: emprego, educação e pandemia. E o que espanta não é tanto a incoerência clara que resulta de nuns casos se querer dizer que eles não valem, para noutro logo se dizer que são os melhores de sempre, para noutro ainda querer mudar agora os critérios, na eventual tendência que, em todos eles, a realidade aferível seja outra, eventualmente melhor ou pelo menos diferente! O que me espanta verdadeiramente é que em todas estas situações quem decide não perceba que o que não é óbvio para eles é “clarinho como água” para todos os restantes e transmite-se no simples ditado popular: “o pior cego é aquele que não quer ver”! É que o problema maior em querer desacreditar instituições reconhecidas como o INE – no caso das taxas de desemprego - ou a DGS e o ECDC – na alteração dos critérios definidos para a medição do pulso...

2022 = 1988?

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Decorrem ao longo de toda esta semana conversações entre os EUA/Estados membros da NATO e da OSCE e a Rússia. Conforme o lado de que se olhe para as mesmas, em cima da mesa estará, por um lado, a situação da Ucrânia e o posicionamento de tropas russas naquele já invadido país ou, por outro, “o expansionismo” da NATO e a definição das “zonas de influência” da Rússia Para aqueles de nós que terão memória capaz de recuar mais de três décadas, com a exceção dos meios através dos quais consultamos estas notícias e a velocidade a que o fazemos, não pode deixar de ser estranha a sensação de throwback ….a uma altura em que o mundo se dividia por blocos e zonas de influência e em que EUA e a então URSS se rogavam o lugar de polos antagónicos de um mundo a dois. Só o facto de esta semana congregar um conjunto alargado de rondas de conversação diplomáticas, momentos só por si solenes e com simbolismo acrescido no quadro das coreografias diplomáticas, já depois de uma primeira longa e tensa reuniã...

Geoestratégia!

Há nos Açores uma tendência, muito inspirada em Nemésio e outros grandes da nossa literatura, de atribuir à geografia um pré-determinismo definitivo. Como se tudo, ou quase, na nossa condição enquanto sociedade e região fosse única e exclusivamente determinado pelo facto de aqui nos situarmos e termos certas condições geo-morfológicas. Somos “geoestrategicamente relevantes” porque estamos no centro do Atlântico Norte, entre EUA e UE! Somos “geoestrategicamente fundamentais” porque é no mar e no espaço que se disputará a próxima batalha geopolítica e nós “temos” muito mar e muito ar! Somos “geoestratgicamente únicos” porque temos vizinhos importantes a leste e oeste! Não disputo que a geografia é condicionante relevante para o que se pode ou não pode fazer. Ou melhor, para o grau de facilidade ou de sucesso com que se pode fazer! O que disputo é que a nossa condição geoestratégica origine resultados, positiva ou negativamente, por si só! Geoestratégia sem ação é apenas mais uma pa...

"Sim, eu sei, que tudo são recordações..."

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Num cenário em que o Chega eleja deputados, admite coligar-se com o Chega? (…) Não me sinto vocacionado para condicionar o meu projeto político de governação dos Açores com aproximações ao populismo. (... José Manuel Bolieiro, entrevista ao Açoriano Oriental - 19 de Outubro 2020   "Trata-se de um político profissional, que exerce funções políticas remuneradas desde 1989."  "Tudo nele recorda um passado que já teve o seu tempo e que ninguém deseja re-editar neste século".  Paulo Estevão sobre José Manuel Bolieiro, Açoriano Oriental - 1 de fevereiro 2020. 

No aniversário da morte de Horácio...

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  " parturiunt montes ,  nascetur ridiculus mus ". Quinto Horácio Flaco - Venúsia, 8 dezembro, 65 a.C - Roma, 27 novembro, 8 a.C

Sir Humphrey Appleby e as funções do governo

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Para todos os que gostam de política e, em particular, aqueles que gostam de política com humor, a série televisiva dos anos 80 "Yes Minister" continua a ser um compêndio incrivelmente atual! Neste sketch, sobre as funções do Governo, o ingénuo e bem intencionado Ministro discute com o experimentado e sagaz Sir Humphrey Appleby sobre o que fazer quando confrontado com uma situação que ele considera grave, preocupante e, pior, errada! [no caso a venda de armas britânicas a um grupo terrorista italiano ...mas, para o efeito, qualquer outra matéria serviria!] A certa altura, incrédulo com as opiniões expressas pelo seu Secretário, o Ministro pergunta "Mas então para que serve um Governo se não para fazer o bem?" e Sir Humphrey diz prontamente "os Governos não são sobre o bem ou o mal" para logo a seguir, quando confrontado sobre se " se não importa" (sobre essa aparente falta de distinção entre o bem e o mal) acrescentar que "não é o meu trabal...

A separação de siameses políticos!

A operação de separação de irmãos siameses é das mais complexas da medicina moderna. Conseguida em Portugal pela primeira vez apenas em 1978, exige vários meses de estudos, da anatomia de cada um, da forma como estão interligados os seus órgãos, os seus vasos sanguíneos, no fundo aquilo que mantém ambos os seres vivos. Ora no caso da solução governativa em vigor nos Açores, a realidade é análoga. Depois de conscientemente se terem decidido juntar, em prol de uma propensa nova realidade "transformista", os irmãos siameses que compõem a coligação e também aqueles que "apenas" a sustentam, têm, de cada vez que dão um passo, que fazer um difícil compasso de perguntar a cada uma das 10 pernas se pode avançar, em que direção e com que força? Ora se isso traz um aparente reforço do "diálogo", na verdade, de tão juntos que estão, o que na maior parte das vezes causa é surdez ao vizinho do lado, incompreensão sobre para onde ir e falta de clareza sobre as ações a t...