Na política, como, aliás, na vida, a solidariedade é devida e valorizada, sobretudo, nos momentos difíceis. Quando é fácil, não custa – nem é preciso – ser solidário. É por isso que as ausências do Presidente e do Vice-Presidente do Governo do debate relativo ao escandaloso processo das agendas mobilizadoras não podem deixar de ter significado político. Bolieiro e Artur Lima já tinham responsabilizado exclusivamente o Secretário Regional das Finanças pela trapalhada. Esta semana, evidenciaram qual o grau de coesão existente quando “o circo começa a pegar fogo”. Noutras circunstâncias, o omnipresente comentador Bastos e Silva já teria pedido a cabeça do Secretário Regional das Finanças ou, pelo menos, percebido os sinais evidentes do seu isolamento político e daí retirado as devidas ilações. A polémica e a forma como Bolieiro reagiu são reveladoras da falta de liderança do chefe do Governo. Em boa hora, se constitui, por isso, a comissão de inquérito parlamentar subscrita pelo PS, B...
Os últimos dias na Região foram pródigos em declarações sobre a qualidade dos dados que medem o progresso (ou falta dele) em setores fundamentais da nossa vida coletiva: emprego, educação e pandemia. E o que espanta não é tanto a incoerência clara que resulta de nuns casos se querer dizer que eles não valem, para noutro logo se dizer que são os melhores de sempre, para noutro ainda querer mudar agora os critérios, na eventual tendência que, em todos eles, a realidade aferível seja outra, eventualmente melhor ou pelo menos diferente! O que me espanta verdadeiramente é que em todas estas situações quem decide não perceba que o que não é óbvio para eles é “clarinho como água” para todos os restantes e transmite-se no simples ditado popular: “o pior cego é aquele que não quer ver”! É que o problema maior em querer desacreditar instituições reconhecidas como o INE – no caso das taxas de desemprego - ou a DGS e o ECDC – na alteração dos critérios definidos para a medição do pulso...
"Memórias" de Francisco Pinto Balsemão é um livro desempoeirado de uma personalidade marcante da vida nacional. Jornalista, político, empresário, Balsemão deixa-nos a visão e a história de um percurso de mais de oito décadas. Com uma escrita descomplexada, sem pretensiosismos, mas também sem falsas modéstias, as “Memórias” do criador do Expresso e da SIC, ex-primeiro-ministro e fundador do PPD-PSD, são, de certo modo, também o retrato de um país repleto de contradições. Ao todo, são mais de 900 páginas de uma vida invulgar, de mais de oito décadas, descritas com um apurado sentido de humor e uma sinceridade, por vezes, desconcertante. Para quem gosta de jornalismo e de política, as “Memórias ” de Pinto Balsemão são de leitura obrigatória para ajudar a compreender melhor o percurso de um barão dos media, um verdadeiro social-democrata, assumidamente de centro-esquerda, uma estirpe que, aliás, já escasseia no seu partido de sempre. Intimista sem cair na tentação da sobre-e...
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