Na política, como, aliás, na vida, a solidariedade é devida e valorizada, sobretudo, nos momentos difíceis. Quando é fácil, não custa – nem é preciso – ser solidário. É por isso que as ausências do Presidente e do Vice-Presidente do Governo do debate relativo ao escandaloso processo das agendas mobilizadoras não podem deixar de ter significado político. Bolieiro e Artur Lima já tinham responsabilizado exclusivamente o Secretário Regional das Finanças pela trapalhada. Esta semana, evidenciaram qual o grau de coesão existente quando “o circo começa a pegar fogo”. Noutras circunstâncias, o omnipresente comentador Bastos e Silva já teria pedido a cabeça do Secretário Regional das Finanças ou, pelo menos, percebido os sinais evidentes do seu isolamento político e daí retirado as devidas ilações. A polémica e a forma como Bolieiro reagiu são reveladoras da falta de liderança do chefe do Governo. Em boa hora, se constitui, por isso, a comissão de inquérito parlamentar subscrita pelo PS, B...
As gerações mais novas vivem hoje um paradoxo asfixiante. Se, por um lado, temos a geração mais qualificada de sempre, por outro, essa circunstância não responde à aspiração de alcançar estabilidade profissional e, assim, emancipar-se e constituir família. Num país – e numa região – onde a curva demográfica é um dos principais óbices - este problema, a par da precariedade laboral e de uma iníqua desigualdade de rendimentos, constitui uma séria e grave ameaça à coesão social. O acesso a uma habitação condigna, o combate à precariedade laboral e a luta por um rendimento compatível com a qualificação são pilares de uma pirâmide, sem os quais é a própria democracia que está ameaçada. Isto sem falar do enorme e cíclico problema que se antevê quanto à sustentabilidade da segurança social e cujas vítimas serão, a prazo, os que já hoje sentem as suas expectativas defraudadas. Para tudo isto, urge encontrar soluções sob pena de, deste caldo, resultar um caldeirão de imprevisíveis consequências ...
Luxembourg Leaks, Panama Papers, Luanda Leaks e agora Pandora Papers... nomes cada vez mais comuns de uma história repetida. O incrível e meritório trabalho do ICIJ só é suplantado pela nossa incapacidade já de ficar se quer espantados com a velocidade com que ricos e poderosos montam esquemas de transação/lavagem de dinheiro através de offshores devidamente "legalizados" em locais de postal, em que apenas crescem, por ordem natural, caixas postais sem que a justiça, nacional e muito menos a internacional, tenha forma de os julgar. Porque, na verdade, o que o ICIJ e as suas aturadas investigações demonstram é aquilo que todos intuímos, mesmo sem ter os dados. Que empresas, sobretudo multinacionais, e indivíduos, da alta finança ou apenas da alta corrupção, usam e abusam dos "buracos" todos da legislação, nacional, europeia e internacional para se furtar aos pagamentos devidos de impostos ou outros. Aquilo que está vedado ao mais comuns dos contribuintes a esses t...
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