A separação de siameses políticos!
A operação de separação de irmãos siameses é das mais complexas da medicina moderna. Conseguida em Portugal pela primeira vez apenas em 1978, exige vários meses de estudos, da anatomia de cada um, da forma como estão interligados os seus órgãos, os seus vasos sanguíneos, no fundo aquilo que mantém ambos os seres vivos.
Ora no caso da solução governativa em vigor nos Açores, a realidade é análoga.
Depois de conscientemente se terem decidido juntar, em prol de uma propensa nova realidade "transformista", os irmãos siameses que compõem a coligação e também aqueles que "apenas" a sustentam, têm, de cada vez que dão um passo, que fazer um difícil compasso de perguntar a cada uma das 10 pernas se pode avançar, em que direção e com que força?
Ora se isso traz um aparente reforço do "diálogo", na verdade, de tão juntos que estão, o que na maior parte das vezes causa é surdez ao vizinho do lado, incompreensão sobre para onde ir e falta de clareza sobre as ações a tomar, numa entropia total da ação a que se destina toda a política - resolver os problemas existentes e projetar o futuro!
No caso de uma separação, essa realidade complexa torna-se ainda mais complicada, porque cada uma das componentes passa quase exclusivamente a avaliar cuidadosamente com que maleitas e danos sairá para perceber se estará mesmo em condições de sobreviver... politicamente, pois claro!
Por estas horas, já como em tropeções anteriores (vide Carlos Furtado) são novamente estas as cogitações que devem estar a ocupar os "siameses açorianos" (por oposição ao que interessa aos Açores) ...ao mesmo tempo que tristemente constatam que de lá de fora, os "pais distantes", ora os enxotam, ora os renegam, ora ditam o que devem fazer! Tristes irmãos esses que nem os "pais" lhes querem!
Mas o que deve ficar claro para todos é que, tais como nos verdadeiro irmãos siameses, os efeitos são para a 'vida' e não desaparecem por mágica!
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