Geoestratégia!

Há nos Açores uma tendência, muito inspirada em Nemésio e outros grandes da nossa literatura, de atribuir à geografia um pré-determinismo definitivo. Como se tudo, ou quase, na nossa condição enquanto sociedade e região fosse única e exclusivamente determinado pelo facto de aqui nos situarmos e termos certas condições geo-morfológicas.

Somos “geoestrategicamente relevantes” porque estamos no centro do Atlântico Norte, entre EUA e UE! Somos “geoestrategicamente fundamentais” porque é no mar e no espaço que se disputará a próxima batalha geopolítica e nós “temos” muito mar e muito ar! Somos “geoestratgicamente únicos” porque temos vizinhos importantes a leste e oeste!

Não disputo que a geografia é condicionante relevante para o que se pode ou não pode fazer. Ou melhor, para o grau de facilidade ou de sucesso com que se pode fazer!

O que disputo é que a nossa condição geoestratégica origine resultados, positiva ou negativamente, por si só! Geoestratégia sem ação é apenas mais uma palavra!

Ser geoestrategicamente relevante é uma condição da ação (ou ações) que se tome(m) e do conjunto de instrumentos que se colocam ao serviço da sociedade para avançar os seus interesses, em qualquer área, seja em cooperação com outros ou, se necessário for, em frontal oposição, para que não sejam os nossos atributos usados pelos demais.

E num mundo, simultaneamente, cada vez mais ligado e mais competitivo a capacidade de a geografia determinar o que quer que seja será cada vez menor! Não estamos sozinhos! E ninguém está parado!

Para que a geoestratégia da Região produza resultados, deve deixar de ser apenas declaratória e ser real e ativa, com o risco de se assim não for, deixar a outros capacidades e atributos que são nossos. 

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