2022 = 1988?
Decorrem ao longo de toda esta semana conversações entre os EUA/Estados membros da NATO e da OSCE e a Rússia.
Conforme o lado de que se olhe
para as mesmas, em cima da mesa estará, por um lado, a situação da Ucrânia e o
posicionamento de tropas russas naquele já invadido país ou, por outro, “o expansionismo”
da NATO e a definição das “zonas de influência” da Rússia
Para aqueles de nós que terão memória
capaz de recuar mais de três décadas, com a exceção dos meios através dos quais
consultamos estas notícias e a velocidade a que o fazemos, não pode deixar de ser
estranha a sensação de throwback….a uma altura em que o mundo se dividia
por blocos e zonas de influência e em que EUA e a então URSS se rogavam o lugar
de polos antagónicos de um mundo a dois.
Só o facto de esta semana
congregar um conjunto alargado de rondas de conversação diplomáticas, momentos só
por si solenes e com simbolismo acrescido no quadro das coreografias
diplomáticas, já depois de uma primeira longa e tensa reunião Biden-Putin, faz suscitar
a questão do porquê chegarmos aqui?
É que se a hipótese de uma
invasão de um país europeu por outro em 2022 pode parecer intangível e
sobretudo indesejável para o comum dos europeus, tratando-se da Rússia ela não
é nem inédita, nem irreal (basta lembrar Crimeia, 2014, Geórgia, 2008, Chechénia,
1999).
A diferença agora parece ser a
vontade de cada um dos lados estabelecer, nas palavras de Putin, “linhas vermelhas”.
Ora é exatamente esta postura que
relembra o tempo anterior a 1989 e à queda do muro de Berlim que, simbólica e
politicamente, conduziu ao fim do controle das soberanias do Leste Europeu pela
URSS e é exatamente por isso que também esta não pode passar.
A estratégia russa de intimidação
e pressão tem de ser contraposta com determinação, união e com todo o conjunto de
instrumentos não bélicos que deixem suficientemente claro os riscos e sobretudo
as perdas que qualquer veleidade (mais) expansionista da Rússia lhe podem valer.
Só unida pode a Europa e os seus parceiros impedir a estratégia de Putin de afirmação
interna à custa de outros fracassar.
P.S. – Uma vez mais quem
não está na mesa das negociações é a União Europeia comprovando-se, tristemente,
que nas matérias que mais diretamente afetam as suas fronteiras e projeto comum é
ainda um “anão político”.
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