Erros deles, má fortuna, amor cadente!
Memória, seletiva o quanto baste. O suficiente para zurzir naqueles
de que manifestamente não gostam, mas tímida e alquebrada para um esforço módico
de reconhecimento. Camões bem imortalizou: “erros meus, má fortuna, amor
ardente”. E, na novela mexicana em que se transformou uma coisa a que
pomposamente se chama “agendas mobilizadoras”, nos Açores bem podemos gritar
aos quatro ventos: “erros deles, má fortuna, amor cadente”. Pródigos na crítica
rápida aos do costume, céleres em disparar com uma mão, enquanto a outra se
acerca do bolo, ei-los, alegremente e de braço dado, a arrepiar caminho: um, que outrora perorava anasalado
num estilo inconfundível nos ecrãs televisivos, a exigir transparência, a bater
com a mão no peito inchado, dito orgulhosamente independente, afinal, agora, meio
à socapa, e nada independente nem no estilo nem na ação, contrata uns
consultores e, num lusco-fusco, decide praticamente sozinho o destino que,
supostamente, seria de todos. O outro, aquele que sempre gritou esbaforido que
há muito setor público na economia, menos quando o privado está à rasca, fica
quedo e mudo desde que seja um dos bafejados pela fortuna de poder ter, na sua
posse, uma das chaves do cofre deste apregoado e novel euromilhões. Ah, Camões,
meu poeta zarolho que tanto sabias: erros deles, má fortuna, amor cadente. A
continuar assim, não há quem aguente!
AR
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