A quebra do Contrato Social

 



Uma triste realidade dos dias de hoje que põe em causa um dos princípios básicos do “contrato social”, que fundamenta a esperança de uma vida melhor para as famílias: garantidas as igualdades de oportunidades, se um indivíduo trabalhar, se esforçar e se qualificar, a probabilidade de melhorar a sua vida e a dos seus será muito elevada”. Esta ideia, alimentou, com resultados muito positivos e concretos no desenvolvimento económico e social, a esperança de várias gerações, sobretudo no pós-guerra. A globalização e a desregulação que a acompanhou, grosso modo, baralhou tudo isto e, muito rapidamente, criou uma assimetria, dinâmica, entre as qualificações da mão-de-obra (existente e em formação) e as necessidades do mercado de trabalho. Pior, como consequência os rendimentos e os empregos tornaram-se precários, pouco diferenciados por função e qualificação e sem perspetivas de crescimento. 

Com naturalidade as expectativas frustradas dos cidadãos, acabam por minar a credibilidade do sistema político-social, é o chamado “deixar de acreditar” e, motivam o surgimento de fenómenos do extremo político. A história tende a repetir-se, basta comparar com o que aconteceu na europa após a Grande Depressão.  

Os Estados “ocidentais”, sempre atrasados na percepção da mudança e deslumbrados com os crescimentos dos mercados, dos preços baixos e do consumo, falharam na proteção aos seus cidadãos e falharam no combate às desigualdades. Agora, na crise de saúde, social, económica e ambiental, percebem que sem a sua intervenção e a preservação do modelo social europeu estamos condenados ao fracasso e à implosão social.

Mas tudo isto é demasiado complexo e rebuscado, conversa de político, para quem gastou todo o seu empenho, tempo e recursos, a qualificar-se para poder ter um bom emprego, rendimento, constituir família e ter uma habitação condigna, e agora ganha mil euros, sem saber até quando, e vive com os seus pais e com a sua ajuda. Para eles, tudo isto é conversa, pois a sociedade falhou no cumprimento do contrato. Para eles e para nós todos, são precisas menos desculpas e respostas, já!          


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